A Amazon bloqueou o agente de inteligência artificial Muse, da Meta, de fazer compras em nome dos usuários no Amazon.com. O bloqueio começou na noite de domingo (20), segundo a TechCrunch, a Hipertextual e a SiliconANGLE.

Ao tentar comprar algo pelo Muse, o usuário passou a ver uma mensagem de erro: "o acesso contínuo por um agente de IA não autorizado viola as Condições de Uso da Amazon, às quais nossos clientes concordaram". As três publicações citam o site GeekWire como quem revelou o bloqueio primeiro.

O motivo dado pela Amazon

Segundo a SiliconANGLE, as regras da Amazon exigem que agentes de compra se identifiquem por meio de um trecho de texto embutido nas requisições que fazem ao site — algo que o Muse não faz. A empresa também afirmou que o agente da Meta consegue acessar o histórico de compras e as páginas da conta do usuário quando solicitado, o que a Amazon descreveu, em comentário ao GeekWire citado pela SiliconANGLE, como "um terceiro não identificado transitando pelas contas dos clientes".

Em nota também citada pela Hipertextual, a Amazon disse que "aplicativos de terceiros que se propõem a comprar em nome de clientes de outras empresas devem operar de forma transparente e respeitar as decisões de cada provedor sobre participar ou não".

A resposta da Meta: um segundo agente vigiando o primeiro

A Meta lançou o Muse em 8 de setembro nos Estados Unidos como um assistente capaz de executar tarefas completas no computador ou no celular do usuário — preencher formulários, organizar e-mails, navegar por sites como se fosse uma pessoa. Para conter esse acesso, a empresa criou um segundo agente, batizado de Sentinel, que aprova operações sensíveis, como pagamentos, antes que sejam executadas. Segundo a Hipertextual e a SiliconANGLE, o Sentinel impede que o Muse tenha acesso direto a senhas e números de cartão de crédito. O agente também se conecta a e-mail, calendário e notas do usuário, e navega dentro dessa máquina virtual usando um navegador próprio, segundo a Hipertextual.

A Amazon discorda do resultado prático. A empresa afirma que o Muse chega a capturar e armazenar credenciais dos usuários durante a navegação — um dos motivos citados para o bloqueio de domingo, segundo a Hipertextual.

Por que a Amazon teria interesse em bloquear

A TechCrunch aponta um motivo prático para a decisão: se o Muse fizer um pedido errado, é a Amazon quem precisa lidar com o cliente insatisfeito e com o vendedor prejudicado. A Hipertextual acrescenta outro possível motivo comercial — o negócio de publicidade da Amazon, que fatura US$ 68 bilhões por ano segundo a publicação, depende de usuários navegando pelas páginas da loja e vendo produtos patrocinados, algo que não acontece quando um agente de IA faz a compra diretamente em nome do usuário.

Uma versão mais isolada do Muse está a caminho

Segundo a SiliconANGLE, a Meta está testando com um grupo limitado de usuários uma versão reforçada do isolamento do Muse, batizada de Muse Confidential VM, que tornaria impossível até para a própria Meta acessar os dados dentro de cada instância do agente. A empresa afirma estar trabalhando para ampliar as garantias de proteção de dados do Muse — o que pode fazer parte de uma tentativa de reverter o bloqueio imposto pela Amazon.

Não é a primeira briga da Amazon com agentes de compra

A Amazon já havia processado a Perplexity AI no ano passado por causa do navegador Comet, que também compra em nome do usuário. Um tribunal de apelação rejeitou o caso em agosto, segundo a SiliconANGLE, mas a decisão não impediu a varejista de bloquear agentes que descumprem seus termos de uso. A própria Amazon mantém ferramentas próprias de compra assistida por IA, como o Alexa for Shopping e o Buy for Me, que, segundo a empresa, se identificam como IA diante dos comerciantes.

Um agente que crescia rápido demais

O bloqueio chega em meio à ascensão rápida do Muse. Lançado há pouco mais de duas semanas, o aplicativo ultrapassou o ChatGPT no topo dos apps gratuitos mais baixados da App Store dos Estados Unidos na sexta-feira (18), segundo a TechCrunch e a SiliconANGLE. Nesse mesmo dia, de acordo com a SiliconANGLE, as ações da Meta subiram mais de 11%.

Por enquanto, a função de compras do Muse está disponível apenas nos Estados Unidos, por meio de plataformas de terceiros como Stripe e 1Password. A Meta não anunciou data para levar o recurso a outros países.