A Meta anunciou nesta terça-feira (8) o Muse, um agente pessoal de inteligência artificial que executa tarefas do dia a dia a partir de comandos em linguagem natural, segundo a própria empresa, a Wired e a SiliconANGLE.
O agente já está disponível nos Estados Unidos em um aplicativo dedicado para iOS e Android, no site muse.ai e diretamente pelo WhatsApp. A Meta diz que o acesso via óculos de IA da empresa chega em breve.
O que o Muse faz
Segundo a Meta, basta dizer ao Muse o que precisa ser feito para o agente agir: ele pode enviar e-mails, reservar viagens, preencher formulários, abrir um navegador e negociar em nome do usuário — por exemplo, para vender um carro ou reduzir o valor de uma conta. Para tarefas mais longas, o agente continua trabalhando depois que o app é fechado e volta a interagir quando precisa de aprovação, como antes de enviar um e-mail ou fazer uma compra.
As compras passam por uma infraestrutura de pagamento construída com a Stripe, chamada Link, que gera um número de cartão de uso único para cada transação — assim o Muse nunca expõe os dados financeiros reais do usuário. A Meta afirma que o Muse é o primeiro agente de IA coberto pelas proteções de compra do Link, que incluem devolução sem custo e garantia para itens danificados ou com queda de preço.
Uma máquina virtual isolada para cada usuário
O Muse roda sobre uma arquitetura batizada de Secure VM, que isola os dados e a atividade de cada usuário em uma máquina virtual própria, segundo a Meta, a Wired e a SiliconANGLE. A empresa diz ter criado uma camada chamada Sentinel para monitorar tudo o que sai dessa máquina virtual: se a ação bate com uma política já autorizada, ela segue sozinha; se não bate, o sistema pede aprovação direta ao usuário, sem passar pelo próprio modelo de IA — uma forma de se proteger contra ataques de injeção de prompt, segundo o vice-presidente de engenharia da Meta Superintelligence Labs, David Singleton, à Wired.
A Meta afirma que o Muse também guarda informações que o usuário mencionou apenas uma vez, para fazer sugestões sem que ele precise pedir de novo — por exemplo, transformar uma receita salva no Instagram em uma lista de compras ou lembrar de restrições alimentares de amigos antes de enviar o convite para um jantar.
A Meta planeja lançar ainda este ano uma versão chamada Muse Confidential VM, em que toda a máquina virtual — dados e conversas incluídos — é criptografada com uma chave que só o próprio usuário controla, de forma que nem a empresa teria acesso ao conteúdo, segundo a Meta, a Wired e a SiliconANGLE. Segundo a Wired, a Meta pretende dar a empresas de segurança acesso ao código da Confidential VM para auditorias independentes e publicar um registro de transparência, para que o usuário possa conferir a integridade da própria conexão com o Muse.
A Wired informa que a arquitetura de segurança do Muse já passou por testes internos das equipes humanas e automatizadas de segurança da Meta e por um programa privado de recompensas por vulnerabilidades antes do lançamento — e que a empresa ampliou seu programa público de recompensas para incluir o agente.
Concorrência e contexto
O Muse é produto da Meta Superintelligence Labs, unidade de IA formada há cerca de um ano pelo presidente-executivo Mark Zuckerberg para a empresa competir com OpenAI e Anthropic, segundo a Wired e a SiliconANGLE. O lançamento chega como resposta a outros agentes de IA que os usuários acionam por mensagem para automatizar tarefas digitais, como o OpenClaw, citados pela Wired e pela SiliconANGLE como referências do mesmo tipo de produto.
A Meta afirma que o uso do Muse é gratuito para a maior parte das necessidades, com planos de assinatura para quem quiser automatizar um volume maior de tarefas.
Para quem acompanha o setor no Brasil, o lançamento ainda não chega por aqui: a Meta confirma a disponibilidade apenas nos Estados Unidos nesta primeira etapa, o que deixa o mercado brasileiro de fora da corrida por agentes pessoais de IA por enquanto.


