A Nvidia e a Microsoft apresentaram, numa quarta-feira em São Francisco, um conjunto de hardware e software para rodar agentes de inteligência artificial diretamente em computadores com Windows, segundo publicações da própria Nvidia e da revista Fortune. O evento reuniu o presidente da Nvidia, Jensen Huang, e o presidente-executivo da Microsoft, Satya Nadella, nos estúdios Dogpatch.
A Microsoft anunciou a disponibilidade geral dos Microsoft Execution Containers (MXC), uma camada do próprio Windows que permite a agentes de IA rodar em segundo plano de forma persistente e sob controle do sistema operacional, segundo o relato publicado pela Nvidia sobre o evento. Pavan Davuluri, vice-presidente da Microsoft para Windows e dispositivos, descreveu o recurso como parte de uma arquitetura voltada a dar segurança e governança aos agentes que passam a operar no sistema.
O coração da novidade: a placa RTX Spark
O novo hardware se chama RTX Spark, e combina uma GPU Nvidia Blackwell RTX de até 6.144 núcleos com uma CPU Grace de até 20 núcleos, ligadas a 600 gigabytes por segundo, segundo a Nvidia. O conjunto entrega até um petaflop de desempenho de IA em FP4 e até 128 gigabytes de memória unificada, o que permite rodar modelos que não cabem num computador comum sem depender da nuvem. As encomendas da versão em notebook abriram na quarta-feira, com venda a partir de 16 de outubro; a versão de mesa compacta chega às lojas em novembro, de acordo com as duas publicações.
A Microsoft usou o RTX Spark como base do Surface Laptop Ultra, seu notebook voltado a desenvolvedores, com até 128 gigabytes de memória unificada e um petaflop de capacidade de IA, segundo a Nvidia. A Fortune acrescenta os preços: o Surface Laptop Ultra custará US$ 2.599, e sua versão de mesa, o Surface RTX Spark Dev Box, saíra por US$ 5.999 — com as mesmas datas de disponibilidade citadas pela Nvidia. Outros fabricantes também vão vender máquinas com o RTX Spark, entre eles Acer, Asus, Dell, HP, Lenovo, MSI e Gigabyte, segundo a Nvidia.
Um supercomputador de mesa que chega ao Windows
A Nvidia também mostrou o DGX Station for Windows, que a empresa descreve como o primeiro supercomputador de mesa de classe GB300 Grace Blackwell a funcionar nativamente no Windows. Até agora, o DGX Station só rodava Linux — o que obrigava equipes de desenvolvimento a manter dois ambientes separados, um para cargas pesadas de IA e outro para o trabalho cotidiano em Windows. Segundo a Nvidia, a máquina roda o superchip GB300 Grace Blackwell Ultra Desktop, com 748 gigabytes de memória compartilhada e até 20 petaflops de desempenho em FP4, o suficiente para rodar localmente modelos da escala de um trilhão de parâmetros.
Copilot ganha tarefas que rodam sem depender da nuvem
Do lado do software, a Fortune relata que a Microsoft está reformulando o aplicativo Copilot para que ele funcione como uma interface central dentro do Windows, com tarefas simples processadas localmente em vez de na nuvem. Segundo a reportagem, Jacob Andreou, responsável pelo Copilot na empresa, descreveu um exemplo em que o assistente reúne sozinho, no próprio computador, os arquivos necessários para a declaração de impostos do usuário, sem enviar nada à nuvem. A Fortune também descreve um recurso ainda não totalmente disponível chamado Autopilot, que deixaria o usuário nomear um agente, atribuir a ele um objetivo e deixá-lo cuidar de tarefas como lembrar prazos e preparar materiais para reuniões.
A Fortune cita ainda que o Microsoft 365 Copilot havia superado 30 milhões de assinaturas pagas em julho, com o ritmo de novas contas dobrando a cada trimestre, segundo números que a própria Microsoft informou à publicação. O pano de fundo do evento, segundo a Fortune, é a disputa da Microsoft por um lugar de destaque num mercado de IA hoje liderado em modelos por Google, OpenAI e Anthropic, enquanto a Meta avança com seu próprio assistente, o Muse.


