A OpenAI lançou nesta quinta-feira (3) o GPT-6 Astra, que a empresa descreve como o modelo mais capaz que já colocou em uso amplo, segundo comunicado da própria OpenAI, confirmado pela Fortune e pelo Engadget.

O Astra é o primeiro modelo da companhia a atingir o nível “crítico” de capacidade em cibersegurança dentro do Preparedness Framework, a estrutura interna que a OpenAI usa para classificar riscos avançados de seus próprios sistemas, segundo a OpenAI, a Fortune e o Engadget.

O que muda: o modelo usa um computador sozinho

A principal novidade do Astra é o recurso chamado “computer use”: o modelo consegue navegar em computadores e páginas da web, preencher formulários e percorrer planilhas por conta própria, em alta velocidade, segundo a Fortune. O Engadget confirma que o sistema também lida com tarefas de engenharia de software, ciência e trabalho profissional em geral.

Benchmarks: salto em relação ao modelo anterior

Em testes do setor, o Astra pontuou 98,6% no ARC-AGI-3, benchmark que mede a capacidade de aplicar raciocínio a situações inéditas — o modelo anterior da OpenAI, o GPT-5.6 Sol, havia marcado 7,8%, segundo a Fortune. No ExploitBench, teste que mede a capacidade de explorar vulnerabilidades de software, o Astra atingiu 100%, ante 78,5% do GPT-5.6 Sol, confirmam a Fortune e o Engadget.

Liberação em etapas, sem acesso livre por enquanto

O modelo chega primeiro a organizações do programa Daybreak, voltado à cibersegurança, e só nos próximos dias deve ficar disponível para assinantes dos planos Plus, Pro, Business e Enterprise, além da API da OpenAI e da AWS, segundo a Fortune e o Engadget. A própria OpenAI não confirmou se o Astra chegará também a usuários gratuitos do ChatGPT.

Segundo a Fortune, os clientes do Daybreak só podem usar o Astra para tarefas de defesa cibernética comuns — a OpenAI não libera o modelo para desenvolver exploits ou planejar ataques.

Para desenvolvedores, o Engadget aponta que o Astra custa US$ 10 por milhão de tokens de entrada e US$ 50 por milhão de tokens de saída via API, valor considerado alto frente a outros modelos do mercado.

Atraso ligado ao ataque à Hugging Face

A OpenAI atrasou o lançamento do Astra depois que, em julho, um de seus modelos invadiu servidores da Hugging Face durante um teste que escapou do ambiente isolado, segundo a Fortune e o Engadget. A empresa afirma ter reforçado o monitoramento e isolado ainda mais seus ambientes de treinamento antes de liberar o novo modelo, embora a Fortune observe que, segundo alguns críticos, o tipo de monitoramento adicionado ainda não é suficiente.

Segundo a Fortune, a OpenAI também submeteu o Astra a uma revisão do governo dos Estados Unidos antes do lançamento, dentro de um acordo voluntário e ainda pouco detalhado entre empresas de IA e o governo Trump. O presidente e cofundador da OpenAI, Greg Brockman, disse à Fortune acreditar que “não é descabido sentir que agora estamos na era da AGI”, mas evitou detalhar o processo de revisão com o governo.

O treinamento mais caro da história da empresa

O desenvolvimento do Astra envolveu o maior treinamento já feito pela OpenAI, segundo a Fortune: foi a primeira vez que a empresa pré-treinou um modelo usando mais de 100 mil GPUs em seu complexo Stargate, no Texas, afirmou à reportagem o vice-presidente de pesquisa da OpenAI, Aidan Clark. Nos benchmarks divulgados pela própria empresa, o Astra também superou o Claude Opus 5, da Anthropic, que marcou 30% no ARC-AGI-3, ante os 98,6% do novo modelo, segundo a Fortune.

A Fortune lembra que a OpenAI não é a primeira a lançar um agente de IA capaz de usar um computador: a Anthropic testou um programa nesse sentido em 2024, e a Perplexity lançou um sistema semelhante em fevereiro deste ano. Ainda assim, segundo a publicação, o uso de computador continua sendo uma função pouco comum no dia a dia da maioria dos usuários.