Donald Trump disse no sábado que vai criar uma "AI Force", nos moldes da Space Force lançada em seu primeiro mandato, e que vai nomear um "czar" de inteligência artificial, segundo o Guardian e o SiliconANGLE. Ele deu poucos detalhes sobre os dois planos.
O anúncio veio em uma publicação de Trump na sua rede social Truth Social, na qual ele também chamou a preocupação global com os riscos da IA de "farsa", atribuída por ele a opositores da "esquerda radical", segundo as duas fontes.
"Estou formando a AI Force, assim como fiz com a Space Force, que foi um sucesso tremendo no meu primeiro mandato", escreveu Trump, acrescentando que anunciaria o czar de IA "em um futuro próximo", de acordo com o Guardian.
Ele prometeu que seu governo "não vai de forma alguma dificultar ou sufocar" o crescimento do setor de IA, e argumentou que os sistemas de justiça criminal e civil já existentes são suficientes para lidar com eventuais "maus atores" na área, segundo o Guardian e o SiliconANGLE.
Na mesma publicação, Trump previu que a IA pode chegar a representar até 25% do Produto Interno Bruto dos Estados Unidos, chamando-a de "a próxima Revolução Industrial, ou a Internet, só que ainda maior e mais impactante". O número é uma projeção do próprio Trump, e nenhuma das duas fontes o atribuiu a outra origem.
Uma resposta a alertas crescentes de segurança
O anúncio vem depois de semanas de alarme crescente dentro do próprio setor de IA. O executivo-chefe da Anthropic, Dario Amodei, pediu uma desaceleração coordenada no desenvolvimento dos modelos mais avançados, depois que um ex-pesquisador da Anthropic afirmou que as empresas de IA estão "apostando com nossas vidas", segundo o Guardian e o SiliconANGLE.
Outras figuras importantes do setor, como o executivo-chefe da OpenAI, Sam Altman, o dono da SpaceX, Elon Musk, e o presidente do conselho da Google DeepMind, Demis Hassabis, também apoiaram algum tipo de desaceleração, segundo o SiliconANGLE.
Trump vem rejeitando qualquer pausa, argumentando que desacelerar daria vantagem à China na corrida pelo desenvolvimento de sistemas avançados de IA, segundo as duas fontes. "O único controle ou 'proteção' de que a IA precisa é um PRESIDENTE FORTE E INTELIGENTE, e os EUA têm isso de sobra", escreveu, de acordo com o Guardian.
Anúncio coincide com semana decisiva com a China
O plano surge dias antes da visita do presidente chinês, Xi Jinping, a Washington, que coincide com a Assembleia Geral das Nações Unidas, segundo o Guardian e o SiliconANGLE. O SiliconANGLE informou que a Casa Branca planeja um jantar de Estado ligado à visita, e que a segurança da IA está na pauta das conversas de Trump com Xi.
O SiliconANGLE também lembrou que o cargo de czar de IA não é novo: o investidor de risco David Sacks ocupou brevemente a função no início do mandato de Trump, antes de deixá-la em março, embora continue assessorando o presidente por meio do conselho de ciência e tecnologia da Casa Branca.
Segundo o Guardian, a proposta de um órgão formal para IA também surge em meio a divergências dentro do próprio partido de Trump, com governadores republicanos pedindo regras de segurança em nível estadual. Trump não disse quando o czar de IA será nomeado nem que poderes a AI Force terá.
Estados americanos já avançam por conta própria
O Guardian informou que a publicação de Trump veio um dia depois de o governador da Califórnia, Gavin Newsom, anunciar um plano separado para um painel estadual que vai elaborar regras de segurança para a IA, incluindo o desenvolvimento de um possível "botão de desligamento" para sistemas que fujam do controle humano.
Esse avanço em nível estadual mostra a lacuna que o plano de Trump precisaria preencher. Nem o Guardian nem o SiliconANGLE mencionaram qualquer legislação federal associada à AI Force ou ao cargo de czar, e as duas fontes notaram que Trump já se posicionou contra regras federais obrigatórias para o setor, preferindo deixar as próprias empresas se autorregularem enquanto insiste que os Estados Unidos precisam manter a liderança sobre a China.


