A AMD divulgou na terça-feira (3) resultados do terceiro trimestre com receita total de US$ 13,38 bilhões, alta de 45% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a CNBC e a SiliconANGLE. O número superou a estimativa de consenso dos analistas, de US$ 13,09 bilhões.
A unidade de data center foi a responsável pelo salto: passou a representar 64% da receita total da empresa, contra 47% um ano antes, de acordo com as duas publicações. Na prática, a receita desse segmento quase dobrou no período.
A virada tem explicação: depois de anos perseguindo a Nvidia no mercado de GPUs para IA, os processadores (CPUs) da AMD voltaram a crescer por causa da ascensão de aplicativos de IA agêntica, como o Muse, da Meta. Segundo a CNBC, agentes autônomos de IA rodam de forma mais eficiente em CPUs do que em GPUs, porque conseguem operar por horas sem supervisão humana.
"A adoção está apenas começando, e esperamos que a demanda cresça fortemente conforme os agentes forem implantados de forma mais ampla e passarem a lidar com tarefas mais complexas", disse a presidente-executiva da AMD, Lisa Su, em teleconferência com analistas, segundo a CNBC e a SiliconANGLE.
Guidance e investimentos
Para o quarto trimestre, a AMD projeta receita de cerca de US$ 17 bilhões, acima da estimativa média dos analistas, de US$ 16,2 bilhões, segundo a LSEG. A empresa espera margem bruta de 55%, pouco abaixo da previsão de 55,3%.
A AMD também vendeu GPUs e os sistemas em escala de rack chamados Helios, que concorrem com as plataformas da Nvidia. Segundo a CNBC e a SiliconANGLE, Anthropic, OpenAI, Microsoft, Oracle e Meta já usam sistemas Helios em seus data centers. A Meta afirmou na semana anterior que seus racks Helios já estão em operação, e a AMD investiu US$ 1 bilhão na oferta de ações da Meta. A empresa também se comprometeu a investir até US$ 5 bilhões na Anthropic, que revelou na semana anterior o prospecto para uma possível oferta pública inicial de ações.
Em setembro, a AMD anunciou a compra da World Labs por US$ 8,2 bilhões, em um negócio pago inteiramente em ações. A startup, fundada pela pesquisadora Fei-Fei Li, desenvolve modelos de mundo que simulam ambientes em 3D para treinar robôs e outras aplicações de IA física.
O resultado da AMD chega dias depois de a Intel divulgar crescimento semelhante na mesma área: receita de data center em alta de 78% no trimestre, segundo a CNBC. Mas as ações da Intel caíram cerca de 30% na sexta-feira anterior, após a empresa apresentar projeções fracas e gerar dúvidas sobre sua capacidade de atender à demanda.
Já o segmento que reúne chips para computadores pessoais e videogames teve resultado oposto: a receita caiu 8%, para US$ 3,7 bilhões, com queda de 40% nas vendas ligadas a games em relação ao ano anterior, segundo a CNBC e a SiliconANGLE. O mercado de PCs enfrenta alta nos custos de componentes, como memória, fator que a própria Intel citou para justificar sua projeção fraca.
As ações da AMD acumulam alta de cerca de 125% no ano, segundo a CNBC, mesmo após três dias seguidos de queda antes do resultado, em meio a um movimento de venda generalizado no setor de semicondutores por temores de gasto excessivo com infraestrutura de IA. Para o analista Jacob Bourne, da consultoria eMarketer, citado pela SiliconANGLE, o resultado tende a tranquilizar investidores: "a demanda por computação de IA não vai despencar, e a AMD tem os produtos competitivos e as relações com clientes importantes para capitalizar essa demanda".
Na prática
- Quem usa os chips: Anthropic, OpenAI, Microsoft, Oracle e Meta já operam sistemas AMD Helios em seus data centers, segundo CNBC e SiliconANGLE.
- Quanto a AMD vai investir: até US$ 5 bilhões na Anthropic e US$ 1 bilhão na oferta de ações da Meta.
- Projeção para o próximo trimestre: receita em torno de US$ 17 bilhões, acima da estimativa de US$ 16,2 bilhões dos analistas (LSEG).
- Comparação com a Intel: a rival teve alta de 78% na receita de data center no mesmo trimestre, mas viu as ações caírem cerca de 30% por projeções fracas.
- Aquisição recente: compra da World Labs por US$ 8,2 bilhões, em ações, para reforçar modelos de mundo usados em robótica.


