A NVIDIA abriu ao setor as especificações de hardware da arquitetura Vera Rubin, segundo comunicado publicado pela própria empresa durante a OCP Global Summit, em San Jose, nos Estados Unidos. O desenho de racks e bandejas de computação da linha passa a integrar o Open Compute Project (OCP), consórcio que reúne fabricantes de equipamentos para data centers, por meio da arquitetura aberta MGX, também da NVIDIA.

Segundo a empresa, a mudança resolve um problema prático: sem um padrão comum, cada fabricante de equipamento precisa seguir especificações próprias de cada cliente antes de produzir peças para as chamadas "fábricas de IA" — centros de dados dedicados a treinar e operar modelos de inteligência artificial em grande escala. Com o desenho aberto, a NVIDIA afirma que fabricantes, provedores de colocation e operadores de data center passam a ter uma referência comum, sem depender de especificações fechadas de cada comprador.

A nova versão da especificação, batizada de MGX 1.2, traz, de acordo com a NVIDIA, refrigeração líquida com encaixe automático (blind-mate), suporte a infraestrutura de interconexão entre racks e um barramento de energia líquido-refrigerado de 5.000 ampères, pensado para sistemas de IA de maior potência. A empresa diz que a arquitetura passa a suportar nativamente racks no padrão de 19 polegadas e implantações de até 250 kW.

A NVIDIA também apresentou o Vera CPU rack, uma extensão da arquitetura MGX voltada à execução de agentes de inteligência artificial. Segundo a empresa, o novo desenho foi projetado para suportar chamadas de ferramentas (tool calling), orquestração de tarefas e execução isolada (sandboxed) — funções que permitem a um agente de IA interagir com aplicações, dados e serviços em tempo real. O rack Vera CPU completa a arquitetura Vera Rubin NVL72, que a NVIDIA mantém como base para treinamento e inferência em grande escala.

A empresa afirma ainda ter expandido o DSX OS, camada de software que opera a infraestrutura dos data centers, com componentes de código aberto para configurar redes, validar clusters, gerenciar racks e colocar servidores em operação sem sistema pré-instalado (bare metal). De acordo com a NVIDIA, esses componentes vêm da experiência da empresa operando sua própria nuvem de treinamento, a DGX Cloud, e ficam disponíveis para provedores de nuvem e parceiros de software integrarem em suas próprias plataformas.

A NVIDIA diz ter se juntado à AMD, à Google e à Meta para publicar a versão 0.7 da Open Data Center Specification, documento que padroniza o projeto de instalações para data centers de IA — da arquitetura de energia ao sistema de refrigeração e ao layout físico. Em outro documento, batizado de OCP Grid Resilience Specification e publicado com Google, Meta e Microsoft, a empresa afirma que o padrão define como a infraestrutura de IA deve se comportar durante instabilidades na rede elétrica: permanecer conectada, reagir automaticamente e retomar quase toda a carga de operação em menos de dois segundos.

No evento, Ian Buck, vice-presidente de computação de alto desempenho e hiperescala da NVIDIA, disse que a adoção de padrões abertos se tornou um ingrediente crítico para escalar as fábricas de IA ao redor do mundo, segundo a empresa.

Na prática

  • Quem pode usar: fabricantes de equipamentos, provedores de colocation e operadores de data center que constroem infraestrutura de IA, segundo a NVIDIA — não é um produto para o usuário final.
  • Desde quando: a partir do anúncio feito na OCP Global Summit, em 12 de outubro de 2026.
  • Quanto custa: a NVIDIA não divulgou valores — as especificações do MGX 1.2, do Vera CPU rack e dos dois documentos do OCP são abertas e gratuitas para adoção pela indústria.
  • O que muda: antes, cada fabricante seguia especificações próprias de cada cliente; com o MGX 1.2 e os padrões publicados em conjunto com AMD, Google, Meta e Microsoft, a indústria passa a ter uma referência comum para construir essa infraestrutura.