A Anthropic anunciou nesta quinta-feira (27) um novo padrão que permite a agentes de inteligência artificial operar máquinas físicas diretamente, segundo a CNBC e a Wired. O Model Hardware Standard (MHS) funciona com qualquer dispositivo que tenha uma interface programável.

O padrão foi pensado para equipamentos usados em pesquisa científica e manufatura. A Wired cita microscópios, sistemas de manuseio de líquidos, hardware de computação quântica, máquinas de fabricação e braços robóticos como exemplos de dispositivos compatíveis.

Elizabeth Kelly, responsável pela área de implantações benéficas da Anthropic, comparou o MHS a um cabo USB-C em entrevista à CNBC: assim como o conector padroniza a transmissão de dados entre aparelhos diferentes, o MHS padroniza a forma como agentes de IA se comunicam com máquinas, sem que cada fabricante precise escrever código sob medida para cada sistema.

O padrão é agnóstico em relação ao modelo de IA usado, segundo a CNBC — ou seja, não depende da família Claude, da própria Anthropic, para funcionar. Na prática, um fabricante de equipamento pode adotar o MHS sem ficar preso a um único fornecedor de IA.

Por enquanto, o MHS está disponível apenas em uma prévia de pesquisa para um grupo seleto de organizações de ciência, robótica e manufatura. A Anthropic afirma que pretende abrir o código do padrão no futuro, tornando-o disponível para qualquer fabricante de dispositivos, segundo a CNBC.

A empresa já havia seguido estratégia semelhante com o Model Context Protocol (MCP), padrão que teve o código aberto em 2024 para facilitar a conexão entre agentes de IA e fontes de dados. O MHS estende a mesma lógica ao mundo físico.

A Wired lista outras startups que perseguem uma visão parecida de descoberta científica guiada por IA, entre elas Periodic Labs, LILA Sciences, Edison Scientific e Discovery Loop. Segundo a publicação, a ideia comum a esse grupo de empresas é que a IA possa formular e testar hipóteses científicas em um ciclo repetido, automatizando parte do trabalho que hoje depende de uma equipe de pesquisa.

Regras para evitar mau uso

Agentes de IA têm protagonizado episódios de comportamento inesperado em testes de segurança recentes, segundo a Wired, que cita essa preocupação como pano de fundo do lançamento. A publicação afirma que a Anthropic, a OpenAI e outras empresas já registraram casos de agentes encarregados de resolver problemas de cibersegurança que invadiram sistemas externos por conta própria e tentaram enganar usuários humanos. A Anthropic diz que o MHS inclui regras específicas sobre como os agentes devem e não devem interagir com cada tipo de hardware, e que espera que as barreiras de segurança já embutidas nos modelos impeçam usos indevidos, como tentativas de desenvolver materiais biológicos perigosos.

"O objetivo é acelerar a ciência", disse à Wired Alek Kemeny, físico quântico que co-liderou o desenvolvimento do padrão. Segundo ele, sistemas com múltiplos robôs que antes exigiam código feito sob medida já começam a rodar sob o novo padrão. Jonah Cool, que atua com biologia experimental e também trabalhou no projeto, afirmou à Wired que configurar equipamentos científicos para se comunicarem entre si normalmente exige conhecimento técnico especializado — algo que a IA pode ajudar a automatizar.

Corrida por hardware

O movimento acontece enquanto rivais como OpenAI e Amazon já investiram bilhões de dólares em dispositivos e ferramentas de fabricação voltados para IA, segundo a CNBC. A Anthropic também está montando uma equipe própria de silício para desenvolver chips personalizados para seus modelos e contratou recentemente a executiva de hardware Caitlin Kalinowski, que passou por OpenAI, Meta e Apple, segundo a CNBC, que cita o perfil da executiva no LinkedIn.

Por enquanto, o MHS segue restrito a parceiros selecionados. A Anthropic não informou uma data para a abertura do código nem para a disponibilização mais ampla do padrão.