A Apple lançou uma nova versão do MLX, seu framework de código aberto para treinar e rodar modelos de inteligência artificial em chips próprios, com suporte a inferência distribuída entre vários Mac Studio. Segundo a empresa, um cluster de quatro unidades do Mac Studio roda o modelo Muse Spark Open, de quase 816 bilhões de parâmetros (os números internos que o modelo ajusta durante o treinamento), gerando mais de 36 tokens por segundo — unidades de texto processadas pelo modelo — acima da velocidade média de leitura humana.
A novidade depende de dois lançamentos recentes: o driver RDMA — acesso direto à memória de um computador pelo outro, sem passar pelo processador — sobre Thunderbolt 5, introduzido no macOS 26.2, e as novas coleções de comunicação do MLX, batizadas de "jaccl", que usam esse driver para dividir o trabalho entre máquinas. A Apple diz que, no teste, conectou duas unidades de Mac Studio com dois cabos Thunderbolt, para dobrar a banda da ligação.
A empresa testou três modelos de pesos abertos — Muse Spark Open (816 bilhões de parâmetros), Mistral Medium 3.5 (128 bilhões) e Qwen 3.8 (27 bilhões) — comparando a geração mais recente de Mac Studio, com chip M5 Ultra, e a anterior, com M3 Ultra.
Os dois modelos menores cabem em uma única Mac Studio com 512 GB de memória unificada, mesmo em janelas de contexto — a quantidade de texto que o modelo processa de uma vez — de 65.536 tokens: o Qwen 3.8 usa até 68 GB de memória e o Mistral Medium 3.5, até 158 GB, segundo a Apple.
Já o Muse Spark Open, por ter quase 816 bilhões de parâmetros, precisaria de mais de 1,6 TB de memória na precisão original (BF16). Comprimido para 4 bits (formato NVFP4), o modelo cai para cerca de 493 GB — ainda demais para uma única máquina, somado à memória que o próprio processamento consome durante a geração de texto. Por isso, a Apple divide o modelo entre duas ou mais Mac Studio, técnica chamada de paralelismo de pipeline: uma máquina processa a primeira metade das camadas do modelo e envia o resultado para a segunda, que processa o restante.
O que o chip M5 muda
Segundo a Apple, o tempo até a primeira palavra gerada (TTFT, sigla em inglês para "time to first token") é até 4,6 vezes mais rápido no M5 Ultra do que no M3 Ultra, por causa dos Neural Accelerators, hardware dedicado à multiplicação de matrizes dentro da GPU. Já a velocidade de geração de texto, limitada pela banda de memória, é 1,6 vez maior no M5 Ultra: 1,2 TB/s contra 819 GB/s do M3 Ultra.
O consumo de energia no pico de uso fica em torno de 200 W para a configuração com M3 Ultra e 300 W para a com M5 Ultra durante a inferência — uma fração do consumo de uma torradeira comum, segundo a comparação feita pela própria Apple.
Para desenvolvedores, a Apple publicou o pacote MLX LM usado nos testes, além do comando mlx.launch, que inicia o mesmo programa em várias máquinas ao mesmo tempo, com a opção --backend jaccl selecionando a nova coleção de comunicação baseada em RDMA.
A empresa já havia detalhado, em publicação anterior, as vantagens da arquitetura M5 e dos Neural Accelerators de sua GPU. Agora soma esse hardware à conexão RDMA para mostrar, segundo a Apple, o que chama de inferência distribuída de modelos de fronteira fora da nuvem.
Na prática
- Quem pode usar: qualquer pessoa com um ou mais Mac Studio com chip M3 Ultra ou M5 Ultra e o MLX, framework de código aberto e gratuito da Apple.
- Desde quando: a nova versão do MLX e o driver RDMA do macOS 26.2 foram lançados nesta semana, segundo a Apple.
- Quanto custa: o MLX é gratuito; o custo é o do hardware — Mac Studio com até 512 GB de memória unificada.
- O que muda: antes, rodar um modelo de quase 816 bilhões de parâmetros exigia infraestrutura de nuvem; agora a Apple mostra que ele roda localmente ao dividir o processamento entre várias Mac Studio conectadas por Thunderbolt.


