O Google lançou nesta quarta-feira (30) o Gemini 4 Argon, descrito pela CNBC como o modelo de inteligência artificial mais avançado já feito pela empresa. Segundo a CNBC, o Argon bate recordes em tarefas reais de engenharia de software e empata em primeiro lugar em testes de cibersegurança.
O acesso, porém, começa restrito. CNBC, SiliconANGLE, TechCrunch e Engadget confirmam que o Google está liberando o Argon primeiro para parceiros de cibersegurança verificados, dentro do Fairwind Program, enquanto trabalha com o governo dos Estados Unidos em avaliações de segurança antes de um lançamento público mais amplo.
Preço abaixo dos concorrentes diretos
Segundo a SiliconANGLE e a Engadget, o Argon custa, no lançamento, US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 10 por milhão de tokens de saída. A SiliconANGLE lembra que a Anthropic cobra US$ 4 e US$ 20 pelo Opus 5.5 nos mesmos itens, enquanto a Engadget compara o preço ao do GPT-6 Astra, da OpenAI, que custa US$ 10 e US$ 50.
A SiliconANGLE e a Engadget confirmam ainda que o limite de resposta do novo modelo chega a 1 milhão de tokens, quase 16 vezes o teto de 64 mil tokens dos Gemini anteriores, segundo a SiliconANGLE. A Engadget compara esse limite ao de 128 mil tokens do GPT-6 Astra.
Em números relatados só pela SiliconANGLE, o Argon marcou 77,9% no DeepSWE v1.1, benchmark de tarefas longas de programação, contra 74,2% do Claude Opus 5.5, da Anthropic, e um décimo de ponto a menos para o GPT-6 Astra, da OpenAI. No AutomationBench, que mede tarefas completas de negócios, a mesma fonte registrou 51,3% para o Argon contra 42,5% para o Opus 5.5. Esses números específicos não foram confirmados por outra fonte.
Testado para encontrar falhas de segurança
A SiliconANGLE e a Engadget relatam que, numa demonstração anterior ao lançamento, o Argon encontrou sozinho uma falha crítica em um software de saúde usado por hospitais ao redor do mundo, que expunha dados pessoais de pacientes e não havia sido detectada por modelos anteriores. Nos testes de remediação de vulnerabilidades do benchmark CWE-bench, o modelo empatou com o GPT-6 Astra, segundo as duas fontes.
De acordo com a CNBC e a Engadget, o Google também já está usando o Argon em pesquisas internas de computação quântica. A SiliconANGLE acrescenta que equipes da empresa usam agentes do modelo para migrar código de C e C++ para Rust, incluindo trechos do núcleo Zircon do sistema Fuchsia — um detalhe relatado só por essa fonte.
Economia de memória nos data centers
CNBC, SiliconANGLE e Engadget confirmam que o Argon já ajudou o Google a liberar mais de 300 tebibytes de memória em seus data centers sem comprar hardware adicional, ao identificar uso ineficiente de recursos em sistemas internos.
Barreiras contra uso indevido antes do lançamento amplo
A CNBC e a Engadget confirmam que o Google reforçou o Argon contra ataques de injeção de prompt — comandos escondidos que tentam manipular um modelo para agir fora do que o usuário pediu — e incluiu mecanismos para reduzir o risco de o sistema tomar ações por conta própria sem ter sido solicitado. Tulsee Doshi, responsável pelo produto Gemini no Google, disse à CNBC que começar o lançamento dessa forma "dá mais confiança" à empresa e, ao mesmo tempo, permite colocar um modelo forte em defesa cibernética nas mãos de defensores o quanto antes.
Segundo a CNBC, o Gemini 4 chega quase um ano depois do Gemini 3, lançamento que recolocou o Google na disputa pela liderança em modelos de ponta, e vem após a empresa ter concentrado esforços em modelos mais rápidos e baratos da linha Flash. Doshi descreveu o Argon à CNBC como um modelo "extremamente equilibrado", com desempenho forte em tarefas longas de várias etapas.
O lançamento acontece um dia depois de o presidente-executivo do Google, Sundar Pichai, assinar, ao lado de outros executivos de tecnologia, um acordo voluntário sobre segurança em IA na Casa Branca, segundo a CNBC. Desenvolvedores pagantes e assinantes do Google AI Ultra ainda não têm data para acessar o Argon.


