O Google DeepMind anunciou nesta segunda-feira (2 de novembro) o Gemini 4 Carbon, descrito pela própria empresa como o modelo mais forte que já lançou, com foco em cibersegurança e em tarefas que exigem raciocínio contínuo por longos períodos. Segundo a DeepMind, o acesso começa nesta semana, mas por enquanto apenas para um grupo restrito de times de defesa cibernética.

A empresa afirma que o Carbon ficou em primeiro lugar no Artificial Analysis Intelligence Index, na versão 5.0 do ranking recém-atualizada, com nota 59. Em testes internos de cibersegurança citados pela DeepMind, o modelo atingiu 88,2% no SEC-bench Pro (achar vulnerabilidades em código), 54,8% no ExploitGym (explorar essas falhas) e 71% no CWE-bench (corrigi-las). Como os números vêm só da própria empresa, servem como o que a DeepMind diz sobre o modelo, não como medição independente.

O Carbon chega duas semanas depois do Gemini 4 Argon, lançado em outubro, e passa a ser oferecido pelo mesmo preço de estreia do antecessor: US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 10 por milhão de tokens de saída, com desconto de 95% para tokens de entrada já processados antes (os chamados tokens em cache), segundo a DeepMind.

Foco em tarefas longas e código seguro

Diferente de um modelo pensado para respostas rápidas, o Carbon foi projetado para problemas de engenharia que levam muito tempo para resolver. A DeepMind diz que, em testes internos, o modelo chegou a rodar por dias seguidos até destravar tarefas como encontrar e corrigir bugs específicos em bases de código grandes e em sistemas de baixo nível — persistindo mesmo depois de encontrar becos sem saída.

Segundo a empresa, o Carbon também teve uma alta de 89 pontos na pontuação Elo do WebDev Arena, ranking que mede a qualidade de interfaces web geradas por modelos de IA, o que o colocou na quarta posição da lista (1.768 pontos). A DeepMind afirma ainda que o modelo teve mais que o dobro de acerto na geração de código seguro, em comparação com o Argon, em benchmarks internos.

A DeepMind afirma ainda que a própria equipe do Chrome, dentro do Google, relatou um desempenho mais de dez vezes melhor do que o de um modelo de outro laboratório — que a empresa não identificou — na geração de patches de alta qualidade para corrigir código. A Wiz, plataforma de segurança na nuvem que pertence ao Google, também diz observar o Carbon na frente em testes de invasão a sistemas web, usados para checar falhas antes que sejam exploradas por invasores reais. Como a Wiz integra o mesmo grupo econômico do Google, essa avaliação não conta como uma segunda fonte independente: é mais uma citação da própria DeepMind sobre o desempenho do modelo.

Liberação gradual e controlada

O Carbon não chega direto ao público. A DeepMind afirma que a liberação é deliberadamente lenta: o acesso inicial vai só a um grupo de defensores de segurança cibernética e, depois, a parceiros de confiança através do que a empresa chama de Fairwind Program. Ainda não há data para abrir o modelo a desenvolvedores, empresas e consumidores pelos produtos do Google.

A empresa diz também estar participando do processo voluntário do governo dos Estados Unidos para testes de modelos antes do lançamento. Segundo a DeepMind, o Carbon usa a mesma estrutura de segurança do Argon — que combina treinamento, defesas contra uso indevido em tempo real e monitoramento da cadeia de raciocínio do modelo — com um treinamento adicional para que o modelo responda de forma adequada em tarefas de alta pressão.

O monitoramento da cadeia de raciocínio, segundo a DeepMind, funciona como uma auditoria do caminho que o modelo percorre até chegar a uma resposta, e não só do resultado final entregue ao usuário. A empresa afirma que essa checagem ajuda a identificar quando o modelo começa a se desviar do comportamento esperado antes que isso apareça na resposta final — um cuidado que a DeepMind diz ser mais importante num modelo pensado para rodar por dias seguidos em tarefas sem supervisão humana constante.

Na prática

  • Quem pode usar: por ora, só um grupo restrito de defensores de cibersegurança e parceiros do Fairwind Program, segundo a DeepMind; desenvolvedores, empresas e consumidores ainda não têm acesso pelos produtos do Google.
  • Desde quando: a liberação a esse primeiro grupo começou nesta semana, segundo a empresa.
  • Quanto custa: US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 10 por milhão de tokens de saída, com 95% de desconto para tokens em cache — o mesmo preço de estreia do Gemini 4 Argon, segundo a DeepMind.
  • O que muda em relação ao Argon: segundo a empresa, ganhos em geração de código seguro, em tarefas longas de engenharia e em qualidade de desenvolvimento web, mantendo o preço de lançamento.