O Google vai lançar seu primeiro satélite do Project Suncatcher, batizado de MVP, a bordo de um foguete Falcon 9 da SpaceX no dia 1º de outubro, segundo o The Verge, a SiliconANGLE e o Engadget. O projeto testa se é possível rodar inteligência artificial em órbita, usando energia solar captada no espaço.
O MVP carrega quatro processadores TPU (unidades de processamento tensorial, os chips que o Google usa para treinar e rodar modelos de IA) e será colocado em órbita baixa da Terra, segundo as três fontes. Os painéis solares do satélite vão gerar cerca de um quilowatt de energia — o suficiente para alimentar um secador de cabelo, comparam o The Verge e a SiliconANGLE.
Quinze minutos de uso, depois é preciso esfriar
Os quatro chips só conseguem rodar por cerca de 15 minutos seguidos antes de precisarem ser desligados para esfriar, confirmam as três fontes. Sem ar para circular no vácuo do espaço, o Google testa um sistema de resfriamento com tubos de calor e radiadores, segundo o The Verge e a SiliconANGLE.
Antes do lançamento, o Google já havia exposto seus chips TPU a um feixe de prótons no Laboratório Nuclear Crocker, da Universidade da Califórnia em Davis, relatam a SiliconANGLE e o Engadget. Segundo a SiliconANGLE, os chips receberam, no teste, uma dose de radiação maior do que enfrentariam ao longo de cinco anos de missão espacial, e tiveram desempenho considerado bom pela equipe.
Um satélite pequeno para um plano bem maior
Segundo a SiliconANGLE, o satélite MVP tem o tamanho aproximado de uma geladeira e foi construído pela empresa Planet Labs, que normalmente fabrica satélites para capturar imagens de alta definição da superfície da Terra. O Google planeja colocar mais dois satélites em órbita no ano que vem para testar comunicação por laser de alta velocidade, segundo o The Verge e a SiliconANGLE.
Travis Beals, diretor sênior do Project Suncatcher, escreveu em comunicado do Google, citado pelo The Verge e pela SiliconANGLE, que “esse primeiro lançamento é sobre ver o que funciona, identificar pontos de falha e aplicar esses aprendizados a missões futuras”.
Ceticismo sobre o quanto isso escala
O Engadget cita James Manyika, vice-presidente sênior de pesquisa do Google, dizendo que a empresa “não espera, para ser bem franco, ter algo utilmente operacional nos próximos anos”. O mesmo texto cita Brandon Lucia, professor de engenharia elétrica e da computação da Carnegie Mellon, para quem passar de um satélite para uma rede que funcione como um data center gigante “vai levar anos e recursos enormes”.
Segundo o Engadget, o Google planeja eventualmente lançar 80 satélites voando em formatação e já estuda um satélite bem maior, do tamanho de um campo de futebol americano. O veículo não é, portanto, um data center completo: são quatro chips equivalentes à potência de um único servidor, e não de uma instalação inteira.
O Google enfrenta concorrentes nessa corrida por computação orbital, entre eles a SpaceX de Elon Musk e as startups Starcloud e Orbital, que levantaram rodadas de investimento relevantes neste ano, segundo a SiliconANGLE.
Radiação é o maior risco técnico
O Engadget explica que a radiação cósmica pode causar “bit flips” nos chips — quando um zero vira um em no código binário, ou o contrário, corrompendo dados. A solução do Google, segundo a reportagem, é simplesmente reiniciar os chips quando isso acontecer, a mesma saída usada em problemas de computador na Terra.
O plano é deixar o satélite MVP respondendo consultas simples de IA por cerca de um ano, embora ele continue orbitando a Terra por seis anos até se desintegrar ao reentrar na atmosfera, segundo o Engadget. Um único lançamento do foguete Falcon 9 custa cerca de US$ 74 milhões, lembra a reportagem, o que mostra o tamanho do investimento necessário mesmo para um teste inicial como este.


