A OpenAI vive uma sequência de saídas de executivos seniores nos últimos meses, e quem ganha influência com isso é o presidente e cofundador Greg Brockman, segundo reportagens da TechCrunch e do podcast Decoder, do The Verge.

De acordo com a TechCrunch, mais de uma dúzia de executivos deixaram a empresa desde o início do ano, incluindo o principal assessor do CEO Sam Altman, o diretor de operações, a diretora de receita e a diretora de marketing. O mais recente foi Chris Malone, chefe de data centers, que saiu na semana passada após pouco mais de um ano no cargo, segundo o veículo.

Brockman concentra o comando do dia a dia

As saídas coincidem com o crescimento do poder de Brockman dentro da empresa. Tanto a TechCrunch quanto o The Verge afirmam que ele hoje supervisiona as equipes de produto, infraestrutura e as áreas voltadas a consumidores e a empresas, praticamente todos os braços operacionais da OpenAI.

"Gosto de dizer que, no fim do dia, todo mundo se reporta ao Greg", disse Thibault Sottiaux, que lidera as ofertas de API e aplicativos da empresa, à TechCrunch. Já a repórter sênior de IA do The Verge, Hayden Field, descreve Brockman como, na prática, o líder operacional do dia a dia da OpenAI, enquanto Altman concentra sua atenção em decisões estratégicas e no plano de abrir o capital da empresa.

Segundo a TechCrunch, entre 2015 e 2019 Brockman também comandava a área de engenharia da OpenAI, até ser afastado das funções de gestão quando Altman assumiu o cargo de CEO. O veículo cita o livro "Empire of AI", da jornalista Karen Hao, para lembrar que Brockman teve um papel disruptivo nesse período intermediário, incluindo rivalidades internas que teriam ajudado a preceder o afastamento de Altman em 2023.

Uma história que vem do golpe de 2023

O relacionamento entre os dois remonta ao episódio de 2023, quando o conselho da OpenAI afastou Altman do cargo de CEO por alguns dias. Segundo as duas publicações, Brockman pediu demissão em solidariedade ao colega assim que soube da decisão, e os dois só retornaram à empresa depois que o conselho recuou. Brockman tirou uma licença sabática em 2024 antes de voltar a assumir funções executivas.

Segundo a TechCrunch, a saída de Malone também está ligada a uma reorganização da área de infraestrutura, agora liderada pelo vice-presidente Sachin Katti; Malone respondia antes diretamente a Brockman.

A OpenAI protocolou em junho, de forma confidencial, os documentos para abrir capital na bolsa americana, segundo a TechCrunch. O veículo afirma que a abertura de capital não é esperada antes de 2027.

O podcast do The Verge também associa o momento à disputa da OpenAI com a Anthropic pelo mercado corporativo, área em que a empresa vem perdendo espaço para a rival, segundo Hayden Field. Na entrevista, a repórter descreve que Brockman hoje comanda os quatro grandes braços da OpenAI — consumo, empresas, Codex e infraestrutura —, áreas que antes tinham chefias separadas.

O que isso significa para o mercado brasileiro

Para empresas no Brasil que já usam ferramentas corporativas da OpenAI, como o ChatGPT empresarial e o Codex, a concentração de poder em Brockman é um sinal de que decisões sobre produto e infraestrutura devem passar cada vez mais por ele, e não apenas por Altman, à medida que a empresa se organiza para a abertura de capital e para disputar contratos corporativos com a Anthropic no mercado local.

A OpenAI não comentou publicamente as mudanças mais amplas na hierarquia da empresa, segundo a TechCrunch. Procurada pelo veículo, a companhia limitou-se a confirmar a reorganização da área de infraestrutura em torno de Katti.