A OpenAI foi avaliada em US$ 1,25 trilhão na rodada de investimento mais recente, valor abaixo dos US$ 1,4 trilhão que a empresa buscava inicialmente, segundo a Bloomberg, em reportagens confirmadas pelo TechCrunch e pelo The Verge. O novo aporte já somou US$ 11 bilhões e pode chegar a US$ 20 bilhões, de acordo com o The Verge.

O anúncio chega dias depois de a Anthropic, principal rival da OpenAI, protocolar o registro S-1 para abrir capital na bolsa, segundo o The Verge. O TechCrunch também descreve a concorrente como estando a caminho de seu próprio IPO. É a primeira vez que as duas maiores empresas de modelos de IA generativa avançam, quase ao mesmo tempo, para avaliações testadas por investidores do mercado público, em vez de rodadas privadas.

A cifra atual da OpenAI é maior do que a de março, quando a empresa levantou US$ 122 bilhões a uma avaliação de US$ 852 bilhões, segundo o The Verge. Ainda assim, ficou abaixo da ambição mais recente da companhia: ela buscava inicialmente captar até US$ 30 bilhões nesta rodada, a uma avaliação de US$ 1,4 trilhão, de acordo com o mesmo veículo.

As expectativas de avaliação da Anthropic também encolheram. A Bloomberg informou na sexta-feira, segundo citação do TechCrunch, que a estimativa para a empresa caiu de US$ 2 trilhões no início de outubro para uma faixa entre US$ 1,2 trilhão e US$ 1,3 trilhão. A mesma reportagem diz que a Anthropic deve receber das agências de classificação de risco uma nota de crédito "junk", de grau especulativo.

Por que o gasto não acompanha a avaliação

Por trás das duas revisões está uma desaceleração no gasto corporativo com IA, segundo dados da Ramp, plataforma de gestão de despesas corporativas, citados pelo TechCrunch. O gasto com tokens de IA cresceu apenas 1,5% entre agosto e setembro, depois de uma alta de 42% em julho. Em outubro, o indicador voltou a acelerar, com crescimento de 8,9% entre 23 de setembro e 23 de outubro.

O economista-chefe da Ramp, Ara Kharazian, disse ao TechCrunch que a desaceleração não decorre de falta de demanda — o uso de IA continua subindo —, mas da concorrência de preços. Cortes de preço das próprias fornecedoras de modelos, segundo ele, tornaram o uso de IA mais barato sem necessariamente aumentar a receita de quem vende o serviço.

O padrão aparece nos preços das duas empresas. Em setembro, a OpenAI cortou pela metade o preço da API dos modelos GPT-6 Sol e GPT-6 Luna, segundo o TechCrunch. A Anthropic também reduziu os preços do Fable 5.1 e do Opus 5.5 — corte que a própria empresa, em registro citado pelo TechCrunch, afirma ter reduzido o crescimento de sua receita em cerca de US$ 600 milhões.

A pressão de preço não vem só das duas líderes, segundo o TechCrunch: Meta e Nvidia lançaram ofertas corporativas baseadas em modelos baratos ou de pesos abertos, e uma onda de modelos abertos de empresas chinesas e americanas deu aos compradores mais opções de fornecedor.

Kharazian acrescentou, segundo o TechCrunch, que quase todo o gasto atual com IA vem de empresas de tecnologia financiadas por capital de risco e de alto crescimento. As empresas medianas na base da Ramp gastam entre US$ 12 e US$ 15 por funcionário ao mês; as que mais gastam, no grupo dos 10%, chegam a US$ 600 a US$ 1.000. As duas faixas ficam distantes dos cerca de US$ 10 mil por funcionário do grupo que mais usa IA, segundo o economista.

O registro S-1 da Anthropic ainda não traz uma data definida para a oferta pública, segundo o The Verge.

Na prática

  • Avaliação atual da OpenAI: US$ 1,25 trilhão, segundo a Bloomberg; a rodada já reuniu US$ 11 bilhões, com meta de até US$ 20 bilhões, de acordo com o The Verge.
  • Situação da Anthropic: protocolou o registro S-1 para abrir capital, ainda sem data de oferta, segundo o The Verge.
  • Avaliação estimada da Anthropic: entre US$ 1,2 trilhão e US$ 1,3 trilhão, abaixo da projeção de US$ 2 trilhões de início de outubro, segundo a Bloomberg via TechCrunch.
  • Gasto com IA: cresceu 1,5% entre agosto e setembro (contra 42% em julho) e voltou a subir 8,9% em outubro, segundo dados da Ramp citados pelo TechCrunch.