A Nvidia projetou um crescimento de receita de 70% para o seu próximo ano fiscal, o de 2028, segundo a Axios e a CNBC. A previsão foi apresentada pela diretora financeira Colette Kress durante a teleconferência de resultados da empresa.

No trimestre mais recente, a receita da fabricante de chips somou US$ 96,2 bilhões, mais que o dobro do mesmo período do ano anterior, segundo a Axios. A CNBC confirma que a receita dobrou na comparação anual e que o resultado superou as projeções do mercado.

"Nossa demanda é muito maior do que 70%. Nosso fornecimento nos permite entregar 70% com confiança, e vamos continuar trabalhando com nossa cadeia de suprimentos para aumentar esse número", disse o presidente-executivo Jensen Huang aos analistas, segundo a CNBC.

Restrição de oferta, não de demanda

Segundo a CNBC, a orientação poderia ter sido ainda maior não fosse a escassez de componentes como memória, item que enfrenta um aperto global por causa da expansão de data centers de IA. A empresa afirma que a demanda por seus produtos segue crescendo mais rápido do que sua capacidade de entrega.

Em comunicado citado pela CNBC, a Nvidia disse que a base de clientes deixou de ser concentrada em poucas empresas de tecnologia: "Neste momento do ano passado, apenas um laboratório impulsionava a expansão; hoje, temos uma era de ouro de novos laboratórios e startups de IA, múltiplos laboratórios de fronteira crescendo em paralelo, um ecossistema próspero de modelos abertos e a IA física ganhando força."

A previsão de 70% supera em folga a média de 44% projetada por analistas consultados pela LSEG, segundo a CNBC. Com base na projeção de consenso de US$ 396 bilhões em receita para o ano fiscal de 2027, que termina em janeiro, as vendas do ano seguinte chegariam a US$ 673 bilhões, o que colocaria a Nvidia à frente de Apple e Alphabet e atrás apenas da Amazon entre as empresas de tecnologia dos Estados Unidos, segundo estimativas de Wall Street citadas pela CNBC.

Segundo a CNBC, é a primeira vez que a Nvidia divulga uma projeção com dois anos de antecedência. Huang disse que decidiu compartilhar o número porque já tem visibilidade sobre a necessidade de poder computacional no próximo ano e quis alinhar expectativas com parceiros que fornecem terreno e energia para data centers: "Todo mundo está colocando muitos recursos em jogo, então quisemos garantir que todos tivessem o mesmo conjunto de informações", disse o executivo.

A Nvidia é hoje a empresa mais valiosa do mundo, posto que consolidou nos últimos anos depois de começar como fabricante de chips voltada a um nicho relativamente pequeno antes do boom da IA, segundo a CNBC.

Ações sobem após o balanço

As ações da Nvidia subiram no pregão eletrônico após a divulgação dos resultados, revertendo uma sequência de sete dias de perdas registrada até a véspera do balanço, segundo a Axios.

A projeção de crescimento também aparece no contexto de uma série recente de investimentos e movimentos financeiros da Nvidia voltados a sustentar a expansão da economia da IA, incluindo um acordo para garantir capital a um data center da OpenAI, de acordo com a Axios. A empresa reconheceu, na teleconferência, críticas sobre financiamento circular envolvendo esses investimentos.

O que muda para o mercado brasileiro

A Nvidia é hoje o principal fornecedor de chips para treinar e rodar modelos de IA, inclusive para provedores de nuvem que atendem empresas no Brasil. Uma projeção de demanda que segue superando a oferta, mesmo com a receita já dobrando ano a ano, é um sinal de que o custo e a disponibilidade de capacidade de computação para IA devem continuar apertados no curto prazo, o que tende a pressionar o preço de serviços de nuvem e de IA usados por empresas brasileiras.

O resultado também reforça o papel da Nvidia como referência para o humor do mercado em torno da chamada bolha de investimentos em IA, tema que investidores brasileiros expostos a ações de tecnologia americana acompanham de perto.