A OpenAI lançou nesta quinta-feira o ChatGPT for Financial Services, uma versão do ChatGPT Work voltada a bancos de investimento, segundo a CNBC e a SiliconANGLE. A ferramenta foi desenvolvida com o banco Morgan Stanley e a assessoria financeira Evercore como parceiros de design, de acordo com a OpenAI, a CNBC e a SiliconANGLE.

O produto roda sobre o modelo GPT-6 Astra e vem com dados financeiros integrados de fornecedores como Daloopa, PitchBook e LSEG News, segundo a OpenAI e a CNBC. A OpenAI afirma que esse acesso já vem pronto: bancos que assinam o serviço não precisam negociar contrato separado com cada fornecedor de dados nem configurar conectores manualmente.

A ferramenta gera citações que permitem rastrear cada número usado numa análise até a fonte original, segundo a OpenAI, a CNBC e a SiliconANGLE. Para um analista que monta uma projeção financeira, isso significa poder conferir de qual demonstrativo contábil ou transcrição de resultados veio cada dado, em vez de aceitar o número sem checagem.

Foco inicial em analistas juniores

Segundo a CNBC, o vice-presidente de produto da OpenAI, Nick Turley, disse a jornalistas que a empresa está "ensinando o ChatGPT a pesquisar como um analista e embasar suas conclusões como um analista também". O foco inicial do produto é pesquisa de bancos de investimento e análise de ações negociadas em bolsa — tarefas historicamente feitas por analistas e associados recém-contratados.

A CNBC perguntou a Turley se a ferramenta reduziria a necessidade de contratar analistas juniores. Ele comparou o lançamento ao efeito histórico do Excel sobre o setor bancário: segundo Turley, esse tipo de tecnologia tende a aumentar a produtividade de cada funcionário, não necessariamente eliminar posições.

A OpenAI e a SiliconANGLE também mencionam cerca de 50 conectores usando o Model Context Protocol (MCP, um padrão que permite ao modelo puxar dados de outros sistemas sem integração manual), o que amplia o alcance da ferramenta para além dos dados já embutidos no produto.

Concorrência com a Anthropic

A OpenAI não é a primeira a lançar uma ferramenta de IA voltada a Wall Street. Segundo a CNBC e a SiliconANGLE, a Anthropic já mantém, desde 2025, um produto equivalente para o setor financeiro — as duas reportagens citam nomes diferentes para o produto da concorrente, e a diferença não foi resolvida nesta apuração.

À SiliconANGLE, Turley chamou o ChatGPT for Financial Services de "o produto canônico que esperamos que o setor adote". Por enquanto, o acesso depende de assinatura empresarial do ChatGPT e de aprovação da OpenAI para cada instituição, segundo a SiliconANGLE.

A OpenAI diz que o trabalho com Morgan Stanley e Evercore vai orientar o pós-treinamento do modelo e a futura expansão do produto para outras categorias de serviços financeiros, além de bancos de investimento.

Como funciona na prática

Em demonstração ao vivo acompanhada pela CNBC, Turley mostrou o ChatGPT for Financial Services analisando um possível alvo de fusão e aquisição: a ferramenta escolheu empresas comparáveis, puxou preços para uma planilha, conferiu um gráfico contra os dados brutos e montou uma apresentação em PowerPoint seguindo o padrão visual de um banco. "É fácil fazer slides que parecem bons, mas é bem mais difícil fazer slides que realmente fazem sentido", disse Turley, segundo a CNBC.

A SiliconANGLE descreve outro recurso do produto: o usuário escolhe entre esforço alto, médio ou baixo para cada resposta. Quanto maior o esforço, mais processamento a ferramenta usa e mais lenta fica a resposta, mas o resultado tende a ser mais completo, segundo o veículo.

A OpenAI também afirma que integrou o produto a provedores de dados que os bancos já assinam — Moody's e MSCI entre eles, além de LSEG, Dow Jones Factiva e S&P Capital IQ — por meio de login compartilhado: o usuário entra pela própria conta do ChatGPT, e o sistema reconhece automaticamente quais dados ele já tem direito de acessar.

Segundo a CNBC, o lançamento também é parte da disputa da OpenAI por clientes corporativos contra a Anthropic e o Google, à medida que a empresa se prepara para uma oferta pública inicial de ações amplamente esperada pelo mercado.