A OpenAI notificou a SpaceX de que vai encerrar o contrato que garante modelos de IA para o Cursor, ferramenta de programação assistida por inteligência artificial, segundo comunicado publicado pela própria empresa. A data proposta para o desligamento é 12 de novembro de 2026.
De acordo com a OpenAI, a decisão foi tomada porque a empresa "não pode confiar que a SpaceX vai usar sua tecnologia dentro dos termos de serviço", com base na "experiência com empresas de Elon Musk violando contratos" — referência à rede social X (ex-Twitter) e à xAI, ambas hoje sob controle da SpaceX. A OpenAI afirma que também deixará de fornecer modelos futuros ao Cursor durante a transição, o que a CNBC confirma de forma independente.
A empresa explica o mecanismo por trás da rescisão: "nosso acordo personalizado com o Cursor nos dá uma janela de tempo limitada para cancelá-lo após uma mudança de controle", diz o comunicado. Ou seja, a cláusula que permite o corte só passou a valer porque o dono do Cursor mudou — antes disso, o contrato seguiria normalmente.
A aquisição por trás da decisão
A SpaceX concluiu a aquisição do Cursor por US$ 60 bilhões em 14 de agosto, segundo registros financeiros citados pela CNBC. Antes de abrir capital em junho, a SpaceX já havia incorporado a X e a xAI, ambas de Musk, em fevereiro.
O CEO do Cursor, Michael Truell, disse em publicação na rede X que os modelos da OpenAI respondem por cerca de 5% do tráfego de usuários da ferramenta e que a empresa está "conversando com a equipe da OpenAI para resolver isso", segundo a CNBC. Truell afirmou que o Cursor "confiava na plataforma da OpenAI como infraestrutura neutra" para o negócio.
Disputa antiga entre Musk e a OpenAI
O corte se soma a uma disputa que já dura anos entre Musk e a cúpula da OpenAI, segundo a CNBC. Musk ajudou a fundar e financiar a OpenAI como laboratório sem fins lucrativos em 2015, mas deixou o conselho da empresa em 2018. Ele processou a OpenAI, o CEO Sam Altman e o presidente Greg Brockman em 2024, alegando que a reestruturação da companhia para o modelo com fins lucrativos violou compromissos fundacionais — uma ação que perdeu neste ano e prometeu recorrer, de acordo com a CNBC.
Em resposta ao anúncio, Musk publicou na rede X que "não poderia se importar menos" com a decisão e voltou a chamar Altman e Brockman de "completamente não confiáveis", repetindo a acusação de que os dois "roubaram uma organização sem fins lucrativos de código aberto", segundo a CNBC.
Anthropic sinaliza o caminho oposto
Enquanto isso, a Anthropic — que hoje mantém parceria com a SpaceX e aluga capacidade de computação da empresa de Musk — foi na direção contrária. O cofundador Tom Brown escreveu na rede X que o Cursor "é um parceiro de confiança da Anthropic desde o Sonnet 3.5" e que a empresa vai "continuar aumentando a capacidade computacional para dar suporte aos modelos Claude no Cursor", dizendo-se "animado com o que vem a seguir" com a startup sob controle da SpaceX, segundo a CNBC.
A postagem gerou críticas de outros executivos do setor: o CEO da Replit, Amjad Masad, lembrou o histórico da própria Anthropic com a Windsurf, bloqueada pela empresa em junho do ano passado, segundo a CNBC. Já o executivo da Docker Mat Velloso respondeu que "essa era uma ótima oportunidade para ficar quieto".
O episódio ocorre em meio à disputa entre os grandes laboratórios de IA pelo mercado de ferramentas de programação assistida, batizado de "vibe coding". A OpenAI se prepara para abrir capital no próximo ano, enquanto a Anthropic já teria feito reuniões preliminares com bancos para uma possível oferta pública neste ano, a uma avaliação estimada em até US$ 2 trilhões, segundo reportagem anterior da CNBC.


