Chris Lehane, chefe de política global da OpenAI, confirmou nesta terça-feira que a empresa vem conversando com a Anthropic e o Google DeepMind há várias semanas sobre segurança de inteligência artificial, segundo a CNBC, a TechCrunch, a SiliconANGLE e o Olhar Digital.

As tratativas remontam a julho, quando Demis Hassabis, presidente do Google DeepMind, publicou uma proposta pedindo a criação de um órgão de padrões liderado pelos Estados Unidos para supervisionar riscos da tecnologia, de acordo com a CNBC e a TechCrunch.

A confirmação de Lehane vem dias depois de Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic, publicar um ensaio no sábado defendendo que a indústria desacelere o ritmo de desenvolvimento dos modelos mais avançados para evitar o que chamou de riscos catastróficos, segundo as quatro publicações. Sam Altman, da OpenAI, e o próprio Hassabis apoiaram publicamente o texto de Amodei, assim como Elon Musk, segundo a TechCrunch, a SiliconANGLE e o Olhar Digital.

Avaliadores externos e o risco antitruste

Altman afirmou que a OpenAI está disposta a seguir o exemplo da Anthropic e incorporar avaliadores externos às suas equipes para monitorar a segurança dos modelos, segundo a TechCrunch e a SiliconANGLE.

A cooperação entre concorrentes diretos, porém, esbarra em um problema jurídico. Segundo a TechCrunch e a SiliconANGLE, especialistas alertam que a coordenação entre as empresas pode ser interpretada como restrição de mercado e violar a lei antitruste americana. Amodei chegou a propor que o governo concedesse uma isenção limitada para permitir esse tipo de cooperação sem risco legal, mas Lehane disse que a OpenAI não considera essa isenção necessária, de acordo com a TechCrunch, o Olhar Digital e a SiliconANGLE.

As três empresas também apoiam um dispositivo do FRONTIER Act, projeto de lei que obrigaria laboratórios de IA de fronteira a permitir a entrada de organizações de verificação independentes para auditar a segurança de seus modelos, segundo a TechCrunch, o Olhar Digital e a SiliconANGLE.

Lehane já havia adiantado o movimento no início do mês, ao publicar um texto dizendo que a OpenAI trabalha para avançar padrões liderados pela indústria e que vai construir esse esforço voluntário ao lado de outras empresas, "com ou sem apoio do governo", segundo a CNBC.

Dois projetos de lei em tramitação

Segundo a SiliconANGLE, que cita a Reuters, o líder da maioria no Senado, John Thune, trabalha com os senadores Ted Cruz e Amy Klobuchar em um projeto de lei separado que daria ao secretário de Comércio poder para submeter novos modelos a auditorias de segurança antes do lançamento. A publicação também menciona uma proposta anterior, dos senadores Jim Banks e Adam Schiff, para permitir que laboratórios de IA cooperem em segurança mesmo que isso contrarie a lei antitruste.

O governo dos Estados Unidos já iniciou, em agosto, um processo próprio de avaliação de novos modelos de IA, mas a participação é voluntária e a metodologia usada não foi divulgada, segundo o Olhar Digital.

O Olhar Digital também observa que a preocupação cresceu dentro do próprio setor: Jacob Coxon, que deixou o cargo de desenvolvedor na Anthropic, disse que as empresas de IA estão "brincando com nossas vidas", enquanto Bilal Chughtai, ex-pesquisador do Google DeepMind, afirmou acreditar que a IA pode ter potencial para matar a humanidade.

Reação contrária no mercado

Nem todo o setor recebeu bem o movimento. Aidan Gomez, presidente-executivo da Cohere, escreveu que o discurso de segurança das grandes empresas de IA esconde uma tentativa de restringir a concorrência e impor regras próprias ao resto da indústria, chamando a manobra de cartel com outro nome, segundo a SiliconANGLE.

O movimento das três empresas também ocorre em um momento de resistência do governo americano a qualquer forma de regulação. O presidente Donald Trump classificou as preocupações com segurança da IA como uma farsa e rejeitou a ideia de novas regras, argumentando que uma desaceleração daria vantagem à China na corrida tecnológica, segundo a CNBC e o Olhar Digital.