O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou na segunda-feira uma série de mensagens na Truth Social rejeitando pedidos da indústria de inteligência artificial por uma desaceleração no desenvolvimento de modelos avançados, segundo a CNBC e a Fortune. "O único controle ou 'proteção' de que a IA precisa é um PRESIDENTE FORTE E INTELIGENTE (com QI alto!), e os EUA têm isso, em dobro", escreveu Trump, segundo as duas publicações.
A publicação chega dias depois de Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic, divulgar um ensaio no fim de semana pedindo que as empresas de IA reduzam o ritmo de melhoria de seus modelos mais avançados, de acordo com a CNBC e a Fortune.
Segundo a CNBC, Amodei escreveu o texto depois que os pesquisadores de segurança Jacob Coxon e Joe Benton deixaram a Anthropic citando temor de que sistemas de IA pudessem, no limite, matar toda a humanidade. A Fortune relata que uma publicação nas redes sociais de um ex-pesquisador da Anthropic sobre esse mesmo risco viralizou nos dias anteriores ao ensaio de Amodei.
Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk apoiaram publicamente o chamado de Amodei por uma pausa no ritmo de desenvolvimento, segundo a CNBC. Em entrevista à própria Fortune na semana anterior, Altman disse acreditar que Trump e o presidente chinês Xi Jinping poderiam ganhar o Prêmio Nobel da Paz caso os dois países fechassem um acordo sobre segurança em IA.
Encontro com Xi Jinping em pauta
Segundo a Fortune, Trump e Xi Jinping devem se encontrar em 24 de setembro, e ambos os líderes já rejeitaram publicamente a ideia de uma desaceleração no desenvolvimento da tecnologia.
Críticas à proposta de autorregulação
Nem todos veem o plano de Amodei como suficiente. Tom Wheeler, ex-presidente da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos e hoje pesquisador da Brookings Institution, disse à CNBC que a proposta de supervisão do setor é vaga demais para funcionar, questionando quem definiria os padrões de segurança e quem faria a fiscalização. Ele chamou a ideia de "vaso vazio".
David Sacks, assessor de Trump para IA, também criticou o movimento. Em publicação citada pela CNBC, ele disse que as duas maiores desenvolvedoras de modelos deveriam se autorregular em vez de pedir a intervenção do governo.
A CNBC também lembra que a Anthropic já foi alvo de medidas do governo Trump neste ano: a empresa chegou a ser classificada pelo Departamento de Guerra como risco à cadeia de suprimentos e foi orientada a desativar o acesso a dois de seus modelos para cumprir uma diretriz de controle de exportação.
Segundo a CNBC, Trump já havia assinado, em junho, uma ordem executiva pedindo que as empresas de IA submetam voluntariamente seus modelos ao governo antes do lançamento — mesmo se opondo a qualquer regulação federal obrigatória.
A publicação também lembra que outros executivos se posicionaram na mesma linha de Amodei: o presidente-executivo da Microsoft, Satya Nadella, escreveu no domingo a favor de um "ritmo deliberado" de desenvolvimento, enquanto Mark Zuckerberg, da Meta, permaneceu em silêncio sobre o tema, segundo a CNBC.
China também reage
A China também se manifestou sobre o debate. Segundo a Fortune, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, chamou o discurso americano sobre riscos da IA de "alarmismo" que atrapalha os esforços por uma governança global da tecnologia.
No ensaio que motivou a repercussão, Amodei defende que Washington e Pequim cheguem a um acordo mínimo para não usar IA no desenvolvimento de armas biológicas, e reitera que os Estados Unidos não deveriam vender chips avançados à China, comparando a corrida tecnológica entre os dois países à disputa por armas nucleares durante a Guerra Fria, segundo a Fortune.
Um post atribuído a um engenheiro da DeepSeek, Shengyu Liu, também ganhou repercussão ao comparar o avanço da Anthropic rumo a uma IA mais avançada à obtenção de tecnologia de bomba atômica pela Alemanha nazista antes dos Aliados, segundo a Fortune.


