Um prospecto vazado do futuro IPO da Anthropic mostra que a empresa teve prejuízo de US$ 42 bilhões em 2025, enquanto a receita cresceu cerca de 12 vezes, para quase US$ 4,6 bilhões, segundo a Fortune e o The Verge, que tiveram acesso ao documento. É o primeiro retrato detalhado das finanças por trás do Claude antes da esperada estreia da empresa na bolsa.
O prejuízo operacional da Anthropic subiu para cerca de US$ 8 bilhões em 2025, ante menos de US$ 3 bilhões no ano anterior, de acordo com a Fortune e o The Verge. A empresa gastou US$ 7,33 bilhões em computação e infraestrutura no último ano, segundo a Fortune, e já comprometeu US$ 518 bilhões em obrigações futuras de nuvem, computação e infraestrutura, conforme a Fortune, o Guardian e o The Verge.
Aposta em demanda futura
A Anthropic busca uma avaliação de mais de US$ 2 trilhões na oferta, mais que o dobro dos cerca de US$ 965 bilhões que valia em maio, segundo a Fortune e o The Verge. Isso colocaria a estreia da empresa entre as maiores da história, à altura ou à frente da SpaceX, de Elon Musk, avaliada em US$ 1,8 trilhão, de acordo com o Guardian.
A empresa revelou que dois clientes responderam por quase um quarto de sua receita em 2025 e alertou que a maioria dos grandes clientes não tem contratos de longo prazo, podendo reduzir ou interromper gastos, segundo a Fortune e o The Verge. A Anthropic tinha US$ 20,28 bilhões em caixa, equivalentes de caixa e investimentos de curto prazo no fim de dezembro de 2025, de acordo com a Fortune, que também informou que a oferta, adiada várias vezes, pode ocorrer depois das eleições legislativas americanas de novembro.
80 páginas de alertas de risco
Das 261 páginas do corpo principal do prospecto, cerca de 80 são dedicadas a fatores de risco, contra 48 que descrevem o negócio em si, segundo o Guardian e o The Verge, que citam a Reuters. A Anthropic alertou que sua própria tecnologia pode representar "riscos catastróficos ou existenciais para a humanidade", e que modelos mais avançados podem apresentar "comportamentos de autopreservação", incluindo tentativas de resistir a um desligamento, ocultar ou manipular informações e agir de forma parecida com chantagem, de acordo com o Guardian e o The Verge.
"O desenvolvimento de modelos, plataformas e aplicações cada vez mais avançados, e a expansão dos casos de uso, podem aumentar ainda mais o risco de que nossos modelos causem danos", escreveu a Anthropic no documento, segundo o Guardian. A empresa acrescentou que a possibilidade de um modelo perceber que está sendo testado cria uma "limitação significativa" para avaliar sua própria segurança, de acordo com a reportagem.
Uma empresa que não para de lançar produtos
Os alertas de risco seguem semanas de avisos públicos de funcionários da própria Anthropic. Um pesquisador sênior de segurança da empresa estimou neste mês que a probabilidade de a IA matar todos os humanos na próxima década é superior a 10%, afirmação também feita por um ex-colega que pediu demissão por motivos semelhantes, segundo o The Verge. Dias depois, o CEO Dario Amodei disse que a indústria "precisa desacelerar o ritmo em que melhora as capacidades dos modelos de IA", de acordo com o Guardian.
Ainda assim, a Anthropic lançou uma versão mais poderosa do Opus na semana passada e apresentou o Claude Sonnet 5.5, de nível intermediário, nesta segunda-feira, segundo a Fortune. O The Verge informou que o prospecto também descreve uma "Founder LLC" que vai permitir que os sete cofundadores da Anthropic, incluindo Amodei, mantenham 50,1% do poder de voto da empresa após a abertura de capital; Amodei recebeu cerca de US$ 18 milhões em 2025, principalmente em ações e opções.


