A Sony Music Publishing, a Warner Chappell Music e outras editoras musicais processaram a Anthropic na sexta-feira, acusando a empresa de conduzir uma "campanha ousada" de pirataria para treinar o Claude. A ação foi movida no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Norte da Califórnia, segundo o Verge e o Xataka.

A Sony Music Publishing e a Warner Chappell estão entre as maiores editoras musicais do mundo, com catálogos que somam décadas de sucessos. Editoras administram os direitos sobre a composição e a letra das músicas, um negócio distinto do das gravadoras, donas das gravações específicas — e é por isso que uma mesma canção pode gerar ações de empresas diferentes.

A ação também nomeia os cofundadores da Anthropic Dario Amodei e Benjamin Mann como réus individuais. Ela cobre "dezenas de milhares" de músicas protegidas por direitos autorais, e as editoras pedem até US$ 150 mil em indenização por obra, além de até US$ 25 mil para cada caso em que dados de gestão de direitos autorais tenham sido removidos ou alterados, segundo o Verge e o Xataka. Remover esses dados é tratado como uma violação à parte, distinta da própria cópia não autorizada da música.

O que diz a denúncia

Segundo a denúncia, Mann usou o BitTorrent para baixar mais de cinco milhões de livros piratas por conta própria, e outros funcionários da Anthropic baixaram pelo menos mais dois milhões de obras do arquivo Pirate Library Mirror, de acordo com o Verge e o Xataka. O TechCrunch informou que parte desses livros piratas continha letras de música e partituras.

As editoras também acusam a Anthropic de coletar letras de música diretamente dos sites MusixMatch e LyricFind, que haviam pago para licenciar esse mesmo conteúdo, segundo as duas publicações.

A ação cita músicas específicas que, segundo as editoras, apareceram nos dados de treinamento da Anthropic: "Ain't No Mountain High Enough", de Marvin Gaye e Tammi Terrell, "Livin' On a Prayer", do Bon Jovi, "Hallelujah", de Leonard Cohen, e "Paper Rings", de Taylor Swift, de acordo com o Verge e o Xataka.

Não é a primeira batalha jurídica da Anthropic

O processo das editoras musicais vem depois de a Anthropic fechar um acordo de US$ 1,5 bilhão com autores e editoras de livros no ano passado, no caso conhecido como Bartz — o maior acordo do tipo já registrado nos Estados Unidos, segundo o Xataka. Naquele processo, uma juíza concluiu que treinar modelos de IA com material protegido por direitos autorais é legal, mas que obter esse material por pirataria não é, segundo o Verge, o Xataka e o TechCrunch.

Parte dos advogados por trás da nova ação também representa a Universal Music Group e a Concord Music Group em outro processo contra a Anthropic aberto no início do ano, e liderou o caso Bartz, segundo o TechCrunch e o Xataka. A BMG move um processo separado contra a empresa, e o Verge informou que a ABKCO e a Round Hill Music também processaram a Anthropic.

A nova ação se soma a uma lista crescente de processos do setor musical contra empresas de IA sobre como seus modelos foram treinados, com editoras e gravadoras movendo ações separadas e paralelas contra a Anthropic. Cada caso pode se apoiar em provas diferentes, já que uma mesma música tem direitos distintos para a composição e para a gravação.

A Anthropic disse ao TechCrunch, em nota, que discorda das acusações das editoras e pretende se defender no tribunal. A empresa não informou se vai buscar um acordo, como fez no caso Bartz, ou levar o processo a julgamento completo, deixando em aberto qual caminho vai seguir desta vez.