O volume de buscas processadas pelo ChatGPT já equivale a um quinto do volume do Google, segundo a própria OpenAI. O número foi apresentado por Adam Fry, responsável pelo produto de consumo do ChatGPT, durante um evento da empresa na segunda-feira (2), de acordo com o The Verge e o Olhar Digital.

O The Verge observa que a mudança de hábito já aparece na linguagem do dia a dia: em muitos círculos, a expressão "pergunta pro Chat" vem substituindo o tradicional "procura no Google" como forma de descrever uma busca na internet.

Fry definiu como "busca" toda consulta que resulta em uma pesquisa na web, e não perguntas simples, como pedir a definição de uma palavra ou um passo a passo rápido. Nenhuma das duas reportagens indica que a OpenAI tenha revelado a origem do número usado para calcular o volume de buscas do Google na comparação.

A aposta na "Intelligent UI"

A OpenAI chama de "Intelligent UI" a aposta em respostas mais visuais e interativas dentro do ChatGPT, com elementos que o usuário pode explorar sem sair da conversa. "É para lá que o futuro dessa tecnologia está indo. Você está conversando com uma tela", disse Fry, segundo as duas fontes. O The Verge enquadra essa aposta como parte de uma tendência maior: à medida que as buscas migram para os serviços dos próprios laboratórios de IA, outras empresas investem em experiências parecidas de busca com IA, ainda que com outro nome.

Publicidade e uma possível abertura de capital

Fry afirmou que os anúncios não prejudicaram o uso do produto e que a maioria dos usuários não parece se incomodar com eles, segundo o The Verge e o Olhar Digital. No mês anterior, a OpenAI já havia passado a exibir imagens de produtos e serviços patrocinados dentro do ChatGPT, e não apenas o nome, o logotipo e um link da marca, como fazia até então. "Os anúncios talvez tenham nos mostrado que poderíamos estar fazendo isso ainda mais", disse o executivo. A declaração ocorre enquanto a OpenAI avalia uma possível abertura de capital a partir do início de 2027, segundo as duas reportagens.

Para efeito de comparação, o The Verge lembra que o Bing, da Microsoft, chegou a apenas 3% do mercado de buscas depois de mais de uma década de tentativas, número citado pelo próprio presidente da Microsoft, Satya Nadella, durante o processo antitruste do Google em 2023.

O The Verge também aponta uma reorganização mais ampla no mercado de buscas: o próprio Google vem reduzindo o tráfego de referência para sites de terceiros enquanto investe em recursos de IA dentro da Busca, como os AI Overviews e funções mais recentes com resultados personalizados e gráficos.

O The Verge aponta ainda que a OpenAI provavelmente usa o Bing, da Microsoft, para parte significativa de suas buscas, além de um índice próprio, embora a reportagem diga haver especulação de que parte das consultas do ChatGPT passe pelo próprio Google.

O número aparece num contexto que o The Verge liga à própria defesa do Google no processo antitruste de 2023, quando a empresa argumentou que chatbots de IA como o ChatGPT representavam uma ameaça real ao negócio de buscas — um argumento que os números da própria OpenAI parecem agora sustentar.

Apesar do crescimento, a distância entre as duas plataformas ainda é grande: um quinto do volume do Google está longe de desafiar a empresa, e a OpenAI não informou se o ritmo de alta deve se manter.

Na prática

  • O que foi anunciado: o volume de buscas do ChatGPT já equivale a 20% do volume do Google, segundo a OpenAI.
  • Quem fez a declaração: Adam Fry, responsável pelo produto de consumo do ChatGPT, em evento da empresa na segunda-feira, 2 de novembro.
  • O que não foi revelado: a origem do número de buscas do Google usado na comparação.
  • O que muda na publicidade: a OpenAI passou a exibir imagens de produtos patrocinados no ChatGPT, além do nome e do logotipo das marcas.
  • Contexto: o anúncio ocorre enquanto a OpenAI avalia uma possível abertura de capital a partir de 2027.