A Google confirmou que escolas dos Estados Unidos que restringirem o uso de inteligência artificial também perdem acesso à Busca do Google. A mudança foi anunciada na terça-feira (3) e vale para contas de estudantes do ensino fundamental e médio (K-12), segundo o The Verge e a SiliconANGLE.
Pelo novo modelo, o Gemini, o Gemini Notebook, o Gemini em sala de aula e a própria Busca ficam desligados por padrão para essas contas. Só voltam a funcionar se a administração da escola ativar os recursos manualmente. Não existe opção de desligar apenas a parte de inteligência artificial e manter a Busca funcionando, segundo as duas reportagens.
"A busca e a IA estão profundamente integradas", disse Chris Phillips, vice-presidente de educação da Google, ao New York Times, em trecho citado pelo The Verge e pela SiliconANGLE. Segundo ele, uma escola que bloquear a IA da Google "não terá acesso à busca, e vai ver uma mensagem indicando que o serviço está indisponível".
A mudança fez parte de um pacote maior de novidades de IA para salas de aula que a Google apresentou no mesmo dia, segundo o The Verge e a SiliconANGLE. Ela chega semanas depois de parlamentares americanos questionarem a empresa sobre os riscos da IA para crianças em escolas, e meses depois de a Google ativar o Gemini por padrão no Google Classroom, aplicativo usado por mais de 150 milhões de professores e alunos, segundo o The Verge.
Críticas de parlamentares
O anúncio provocou reação imediata. O senador americano Bernie Sanders chamou a prática de "extorsão". Já o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, escreveu que "nenhuma empresa deveria ter o poder de ditar como ensinamos nossas crianças" e que as escolas públicas existem "para servir aos estudantes, não para aumentar a margem de lucro das big techs". As duas falas aparecem tanto no The Verge quanto na SiliconANGLE.
A resposta da Google
A Google respondeu que a mudança dá às escolas "mais controle, não menos", já que a administração continua podendo ligar ou desligar cada recurso individualmente — exceto a Busca isolada. A empresa também citou o Guided Learning, função que orienta o estudante a resolver um problema passo a passo em vez de entregar a resposta direta. O recurso está sendo incorporado aos AI Overviews da Busca e começa a ser testado em escolas selecionadas dos Estados Unidos neste mês, segundo as duas fontes.
A Google enquadra a mudança como resposta à preocupação de que estudantes usem a IA para encontrar "atalhos" em vez de resolver os problemas por conta própria, segundo a empresa. Essa preocupação segue relatos de queda no desempenho escolar e outros efeitos do uso intenso de IA entre estudantes, aponta o The Verge, embora nenhuma das duas reportagens traga uma resposta direta da Google sobre por que desativar a IA também desativa a Busca.
A ex-presidente da Federal Trade Commission (FTC) dos EUA, Lina Khan, afirmou que a Google estaria tentando "coagir escolas a adotar IA", usando seu domínio sobre a Busca como alavanca, segundo a SiliconANGLE e o Guardian.
Segundo o Guardian, Lila Byock, fundadora da organização Schools Beyond Screens, chamou o anúncio de "ultimato hostil" e disse que "esse tipo de intimidação não tem lugar nas escolas". Para ela, o valor educacional, e não o valor para acionistas, deveria decidir quais produtos são usados pelos estudantes.
Nas reportagens, a Google mantém a mesma posição: a atualização amplia o controle das escolas sobre a tecnologia, segundo a empresa, e não o contrário.
Na prática
- Quem é afetado: contas de estudantes do ensino fundamental e médio (K-12) nos Estados Unidos vinculadas ao Google Workspace for Education.
- Desde quando: a Google anunciou a mudança na terça-feira, 3 de novembro.
- O que muda: escolas não conseguem mais desligar só o Gemini e manter a Busca funcionando — as duas coisas ficam ligadas.
- Quem critica: o senador Bernie Sanders e o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, classificaram a prática como abuso de poder de mercado.
- O que a Google oferece em troca: o Guided Learning, recurso que orienta o estudante em vez de dar a resposta pronta, em teste em escolas selecionadas dos EUA.


