Eleitores de pelo menos dez estados dos Estados Unidos aprovaram restrições à construção de data centers de inteligência artificial nas eleições de meio de mandato de 3 de novembro, segundo a CNBC e o Engadget. Das votações locais sobre o tema, apenas uma rejeitou a restrição proposta: em Harwood, no Dakota do Norte.
Segundo a CNBC, a medida em Harwood exigiria uma revisão adicional antes da aprovação municipal de empreendimentos industriais, incluindo data centers. O Engadget descreve a mesma proposta como uma exigência de audiências públicas antes da liberação de grandes projetos industriais, como data centers acima de 100 megawatts. Em todos os outros municípios que votaram o tema, a restrição foi aprovada.
O resultado mais citado veio de Ohio. O democrata Sherrod Brown derrotou o senador republicano Jon Husted, a quem chamava de "o rosto dos data centers" durante a campanha, segundo a CNBC, o Engadget e a Wired. Ohio concentra mais de 200 data centers em operação ou planejados e vinha sendo tratado pela indústria como um dos principais polos de expansão do país.
No Texas, a democrata Gina Hinojosa derrotou o governador republicano Greg Abbott depois de responsabilizá-lo pelo crescimento acelerado de data centers no estado, de acordo com a CNBC, o The Verge e a Wired. Hinojosa defende uma moratória sobre novos projetos, posição que Abbott não adotou no cargo. Segundo a CNBC, candidatos democratas que fizeram campanha contra a expansão dos data centers também venceram corridas importantes em Wisconsin e na Geórgia; na Geórgia, de acordo com a Wired, a vitória foi de Keisha Lance Bottoms.
O tema pesou no voto
Em pesquisa da NBC News feita no dia da eleição e citada pela CNBC e pelo Engadget, 56% dos eleitores disseram que data centers e inteligência artificial foram um fator "crucial" ou "importante" na decisão de voto.
O deputado democrata Greg Casar, que preside o Congressional Progressive Caucus, disse em comunicado reproduzido pela CNBC e pela Wired que a reação contra os data centers foi "um dos principais temas da eleição de 2026" e que, em alguns anos, o episódio será lembrado como "só o primeiro tremor de um terremoto maior da IA" na política americana. Casar defendeu que executivos de empresas de IA sejam chamados a depor sob juramento.
Dinheiro também entrou nas urnas
Segundo a CNBC, interesses ligados a criptomoedas, IA e apostas on-line injetaram mais de US$ 377 milhões nesta eleição, e 14 dos 20 maiores grupos de doadores apoiaram quase exclusivamente candidatos republicanos. Ainda de acordo com a CNBC, o empresário Elon Musk, que também gastou centenas de milhões de dólares no ciclo eleitoral, viu a maior parte de seus apoiados perder — e reagiu em publicação na rede social X dizendo que "data centers no espaço estão parecendo bem atraentes agora".
O que isso significa para a expansão da IA
A votação chega num momento em que o chamado "AI trade" já perdia força em Wall Street: ações de fabricantes de chips e de empresas ligadas a data centers vinham caindo em outubro por preocupação com juros altos e gastos excessivos, segundo a CNBC. Grandes projetos de infraestrutura para treinar e rodar modelos de IA, como o complexo de 8 gigawatts que a OpenAI reservou em Ohio com SoftBank, SB Energy e a Nvidia como apoiadores, dependem de aprovação local — e é justamente aí que a resistência cresceu nesta eleição.
Na prática
- O resultado atinge diretamente projetos de empresas como OpenAI, SoftBank e Nvidia, que dependem de aprovação local para expandir data centers nos EUA.
- Políticos eleitos em Ohio, no Texas, em Wisconsin e na Geórgia já defendem moratórias ou regras mais duras para novos projetos, segundo a CNBC e a Wired.
- Das votações municipais sobre o tema no dia 3 de novembro, apenas uma, em Harwood (Dakota do Norte), rejeitou a restrição proposta, segundo a CNBC e o Engadget.
- Quais projetos serão adiados ou cancelados ainda não está definido, já que depende de regulamentação local em cada estado.


