Uma juíza federal dos Estados Unidos negou o pedido da xAI, divisão de inteligência artificial da SpaceX, para encerrar o processo que a NAACP move contra a empresa por poluição do ar ligada ao data center Colossus, na região de Memphis, segundo a CNBC e a TechCrunch.

A ação foi movida pelo Southern Environmental Law Center em nome da NAACP no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte do Mississippi, de acordo com a CNBC. A TechCrunch confirma que o processo tramita sob a juíza Debra M. Brown.

O processo alega que a xAI violou a Lei do Ar Limpo (Clean Air Act) ao instalar e operar turbinas de combustão a gás sem a licença de emissões exigida, para gerar energia ao complexo de Southaven, no Mississippi, que abastece o Colossus. As fontes divergem sobre o número de turbinas: a CNBC cita 27, instaladas pela xAI e pela subsidiária MZX Tech entre agosto e dezembro de 2025; a TechCrunch, citando o Southern Environmental Law Center, fala em pelo menos 35 turbinas de combustão e outras fontes de poluição no local.

Os argumentos da xAI, e por que a juíza os rejeitou

Advogados da xAI pediram o arquivamento do processo com dois argumentos, segundo as duas publicações: primeiro, que as turbinas seriam fontes "móveis" e, por isso, estariam isentas da exigência de licenciamento; segundo, que a NAACP não teria direito de processar sob a Lei do Ar Limpo, classificando esse tipo de ação popular como inconstitucional.

A juíza Brown rejeitou os dois pontos. Em trecho citado tanto pela CNBC quanto pela TechCrunch, ela escreveu, em tradução livre: "Como os autores da ação têm legitimidade estatutária sob a Lei do Ar Limpo, como as turbinas de combustão não são 'fontes móveis' segundo o plano estadual de implementação do Mississippi, e como a disposição sobre ações de cidadãos não viola o Artigo II da Constituição nem a doutrina da não delegação privada, os pedidos dos autores seguem adiante".

A decisão chega poucas semanas depois de o mesmo tribunal ter rejeitado um pedido semelhante do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que também tentava encerrar o caso, segundo a CNBC e a TechCrunch.

O que motivou a ação

Segundo a CNBC, a ação alega que as turbinas emitem poluentes que formam smog e material particulado, com potencial de aumentar riscos à saúde e causar odor desagradável para quem vive nas proximidades. A TechCrunch acrescenta que, em comunicado, a diretora de justiça ambiental e climática da NAACP, Abre' Connor, chamou a decisão de "mais uma vitória importante" no esforço da entidade para responsabilizar a xAI.

A SpaceX não respondeu de imediato ao pedido de comentário da CNBC. A TechCrunch informou ter procurado a empresa para comentar a decisão.

A CNBC lembra que o complexo de Colossus e a usina de Southaven enfrentam resistência de moradores da região há anos, por conta da poluição do ar e do uso de recursos associados à operação dos data centers.

O caso em um momento de reação maior a data centers

A TechCrunch observa que o processo avança num momento em que a opinião pública nos Estados Unidos tem se voltado contra data centers de inteligência artificial: o estado de Nova York aprovou recentemente uma moratória para novos empreendimentos do tipo, e a Amazon e a Microsoft prometeram deixar de usar acordos de confidencialidade em negociações com órgãos governamentais. Segundo a reportagem, a disputa em torno do Colossus também pode pesar nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para as próximas semanas.

Na prática

  • Quem é afetado: moradores da região de Memphis e de Southaven, no Mississippi, perto do data center Colossus e da usina que o abastece.
  • O que muda agora: o processo da NAACP contra a xAI segue tramitando na Justiça federal, depois de duas tentativas de arquivamento rejeitadas pelo mesmo tribunal em poucas semanas, segundo a CNBC e a TechCrunch.
  • O que está em disputa: se a xAI pode operar as turbinas a gás que alimentam o Colossus sem a licença de emissões exigida pela Lei do Ar Limpo.
  • Contexto: a TechCrunch observa que o caso avança em um momento de reação mais ampla a data centers de IA nos Estados Unidos.